No
início havia ordem, paz, simples e quase palpável. Tudo fluía num ritmo
próprio... Como as marés que vem e vão renovando as águas tranqüilas de
um mar calmo e límpido. No início, como deveria ser cada novo dia parecia um milagre, uma explosão de cores, sensações, aromas e sabores, estado inebriante da alma pura e fresca como a brisa da primavera que sopra embalando os ramos das árvores numa dança bela e hipnotizante distraindo a atenção das nuvens primeiras claras e leves como o algodão, depois um como uma leve sombra de chuva até chegarem a carregadas tempestades...
No início bastava fechar os olhos e a tempestade ia embora e o céu novamente tornava-se límpido e claro, estrelado como belas noites quentes de verão... Podia-se deitar e admirar as estrelas, as nebulosas, os cometas... Os risos eram constantes, os olhares profundos e significativos, as palavras eram de carinho, amor e dedicação eternos. O permanecer era mais intenso e constante que o ficar. Mas a calma e a tranqüilidade nos fez distrair e não cuidar do que já parecia cuidado por si só.
Os ventos começaram a soprar mais fortes fazendo rugas nas ondas no mar antes tranqüilo e acolhedor. Árvores balançando com mais força e vigor derramando frutos pelo chão, que insistentes buscam um lugar onde possam florir e continuar a perpetuação da espécie, mas sem cuidado, sem água e luz e calor o fruto perece...
Os dias começam a ficar mais curtos e o sol cada vez menos tempo brilha no céu, agora com mais nuvens a cada dia. As tempestades tornaram-se constantes e cada vez maiores assim como as ondas do mar agora revolto. Não havia mais céu estrelado, nem nuvens de algodão, nem cometas passando... Apenas uma grande e infinita noite escura sem estrelas.
De toda a ordem existente fez-se o caos! Um emaranhado sem fim de nuvens escuras, tempestades, raios e trovões tomando conta de tudo e arrastando tudo à sua frente, sem piedade, sem clemência... O ar falta, a respiração cada vez mais dificultada... Palavras surdas, olhares distantes, almas atormentadas pelas tempestades sem fim. Uma sombra que cresce ofuscando a percepção da verdade, da fé, da ordem... O início do fim.
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