segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Em pedaços


No auge da minha loucura te propuz que fosse

Insanamente propuz esperar-te

Você então foi prometendo voltar

Conheceu outros  mundos

Visitou outros universos

Distante do meu terno olhar

Que se aprofundava e endurecia na vastidão da espera

 

Um dia você voltou..

Entre juras de amor e pedidos de perdão

Porém já não havia lugar em meu coração.
 
 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Da ordem ao caos


 

No início havia ordem, paz, simples e quase palpável. Tudo fluía num ritmo próprio... Como as marés que vem e vão renovando as águas tranqüilas de um mar calmo e límpido.
No início, como deveria ser cada novo dia parecia um milagre, uma explosão de cores, sensações, aromas e sabores, estado inebriante da alma pura e fresca como a brisa da primavera que sopra embalando os ramos das árvores numa dança bela e hipnotizante distraindo a atenção das nuvens primeiras claras e leves como o algodão, depois um como uma leve sombra de chuva até chegarem a carregadas tempestades...

No início bastava fechar os olhos e a tempestade ia embora e o céu novamente tornava-se límpido e claro, estrelado como belas noites quentes de verão... Podia-se deitar e admirar as estrelas, as nebulosas, os cometas... Os risos eram constantes, os olhares profundos e significativos, as palavras eram de carinho, amor e dedicação eternos. O permanecer era mais intenso e constante que o ficar. Mas a calma e a
tranqüilidade nos fez distrair e não cuidar do que já parecia cuidado por si só.

Os ventos começaram a soprar mais fortes fazendo rugas nas ondas no mar antes
tranqüilo e acolhedor. Árvores balançando com mais força e vigor derramando frutos pelo chão, que insistentes buscam um lugar onde possam florir e continuar a perpetuação da espécie, mas sem cuidado, sem água e luz e calor o fruto perece...

Os dias começam a ficar mais curtos e o sol cada vez menos tempo brilha no céu, agora com mais nuvens a cada dia. As tempestades tornaram-se constantes e cada vez maiores assim como as ondas do mar agora revolto. Não havia mais céu estrelado, nem nuvens de algodão, nem cometas passando... Apenas uma grande e infinita noite escura sem estrelas.

De toda a ordem existente fez-se o caos! Um emaranhado sem fim de nuvens escuras, tempestades, raios e trovões tomando conta de tudo e arrastando tudo à sua frente, sem piedade, sem clemência... O ar falta, a respiração cada vez mais dificultada... Palavras surdas, olhares distantes, almas atormentadas pelas tempestades sem fim. Uma sombra que cresce ofuscando a percepção da verdade, da fé, da ordem... O início do fim.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Persona


Ela era uma mulher que parecia menina, ou uma menina com ares de mulher...

Diziam já passar dos 40 a contar pelos dias vividos sobre a terra, mas seu corpo insistia em parecer ainda jovem e seus olhos traziam um brilho de sabedoria do tempo misturado à uma pureza e inocência quase infantil...

Ao olhar para ela era difícil mensurar quanto tempo existia, ou se realmente existia... Por vezes parecia um personagem que escapou de um conto medieval , ou um livro de fantasia, ou um filme com ares futurista...

Sua alma parecia ver de tempos longínquos, trazia marcas que por vezes achava não serem suas, mas como se todo os seus antepassados pudessem coexistir com ela nesse tempo e espaço...  Ao mesmo tempo em que sentia-se completamente só e perdida na atemporalidade, como se o real fosse fantasia e todos os sonhos da sua mente criativa fossem real...

terça-feira, 22 de novembro de 2016

MuDança


Ao longo da vida, por diversos motivos, vamos deixando nossos sonhos para trás e vivendo uma vida que muitas vezes não é o que queríamos, mas o que sonharam para nós e aí vamos vivendo com mal humor, dores, doenças somáticas, buscando no outro a satisfação que deveríamos buscar em nós mesmos. Entregamos nossa felicidade nas mãos de quem não tem a menor obrigação de nos fazer feliz, pois cada um é responsáveis por sua própria vida e felicidade.

No entanto nosso sonho, aquilo que nos realiza e faz feliz, fica guardado em algum lugar dentro de nós querendo sair, até que um dia de alguma forma a vida nos faz um confronto e nos coloca em uma posição em que só temos duas opções: ou mudamos e vamos atrás daquilo que nos faz feliz, realiza como pessoa ou nos conformamos  e permanecemos presos e estagnados numa vida que não foi projetada para nós.

E então sentimos um incomodo, sabemos que temos que fazer algo, mas não sabemos exatamente o que é já que os sonhos se perderam ao longo do caminho e  nem sabemos exatamente no que nos transformamos. E reconstruir uma personalidade autentica a partir de pedaços de sonhos deixados pelo caminho é como montar um quebra cabeça.

Aos 40 anos, com uma vida estável me deparo com um imenso desejo interno de fazer algo diferente, dar rumo novo a minha vida, mas não sabia exatamente o que fazer pois segundo a sociedade,  já teria “passado da época” de começar algo. Foi aí que a dança ressurgiu na minha vida. Um sonho antigo, de criança que deixei para trás para construir uma vida segura e estável, sem saber que nessa vida nada é verdadeiramente seguro, tudo pode desmoronar ou mudar sem que nos demos conta.

Então despretensiosamente iniciei as aulas de dança de salão, algo que sempre quis fazer, mas nunca havia me dado a oportunidade e acabou surgindo como uma válvula de escape para os problemas cotidianos, e junto com a dança veio a paixão, daquelas que nos faz sentir viva, livre, capaz de qualquer coisa...

Só que sempre bate aquele medo, insegurança...  Será que vai dar certo, será que devo insistir nisso? E vem a vontade de desistir, de deixar para lá...  As mudanças terão que ser muitas e grandes, será que vale a pena?

E aí num baile da vida, já meio desanimada por não saber dançar tão bem, numa dança ouço a seguinte frase: “Estar começando agora não quer dizer nada, existem pessoas que já nascem preparadas para algumas coisas, e vc nasceu preparada para dançar...” Era o que eu precisava ouvir para ter certeza de estar no caminho certo! Mas esse é o primeiro impulso de uma grande jornada que ainda não sei onde vai dar.

“A dança surge das profundezas do ser humano: é movimento de vida, de intimidade:

é impulso de união à espécie.”

 

Filha de Gaia

Inconstante como o vento... Intensa como as tempestades... Alma livre q insiste em desbravar a imensidão de si mesma. Meu lu...